13 de dez de 2010

A Música



A Música muitas vezes é como um mar!
Onde navego direito à minha pálida estrela
Num tecto de bruma ou num vasto vazio
parto para onde a vela me levar;

Com esperança e pulmões cheios de ar
Como velas enfunadas
Subo as costas das vagas amontoadas
que a noite me esconde

Sinto em mim vibrar todas as paixões
de um navio que sofre;
O vento bom, a tempestade e as suas convulsões,

No imenso abismo adormecem-me
Outras vezes, a calmaria, grande espelho 
do meu desespero!


(Charles Baudelaire)

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